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PPPs poderão favorecer
crescimento
do setor em 2005
Se
pudessem, os locadores de equipamentos excluiriam de seus calendários
os dois últimos anos, marcados por enormes e variadas dificuldades,
destacando-se entre as principais o arrocho financeiro e a pesada
carga tributária. Entretanto, 2005 promete.
Esta não é uma frase de retórica. Afirmamos
nossa esperança no crescimento do setor baseados em um novo
horizonte, descortinado após o acordo das Parcerias Público-Privadas,
as PPPs, firmado entre o Governo e a iniciativa privada no apagar
das luzes de 2004, exatamente um ano após terem entrado na
pauta de urgências.
A demora, embora lamentável pois perdemos um ano, acabou
sendo benéfica porque estimulou iniciativas importantes,
como as PPPs firmadas em São Paulo pelo governador Geraldo
Alckmin e, em Minas Gerais, pelo governador Aécio Neves.
Ao antecipar-se ao governo federal, ambos contribuíram para
apressar os entendimentos em âmbito nacional e algumas obras
já estão, em grande parte, definidas.
E terão de ser tocadas a toque de caixa sob pena
de inviabilizar o desenvolvimento do país, que entrou em
um círculo virtuoso de crescimento sustentado. As principais
áreas que requerem aceleração de planos, projetos
e execução dizem respeito a obras de infra-estrutura,
ou seja, construção e transporte, e produção
de aço.
Em São Paulo são prioritárias as obras da nova
etapa do Rodoanel e a duplicação do corredor de exportações
na Rodovia dos Tamoios, assim como a construção da
linha amarela do metrô paulistano. Só para o Rodoanel
estão previstos investimentos da ordem de 1,9 bilhão
de reais.
Mas o Rio de Janeiro ganha de São Paulo quando se trata de
investimentos em construção, de modo geral. No estado,
serão investidos cerca de 18 bilhões de dólares,
distribuídos entre as obras que envolvem os Jogos Pan-Americanos
de 2007, a construção de uma nova usina siderúrgica
no litoral sul-fluminense e a ampliação da capacidade
instalada da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), situada
em Volta Redonda, com vistas a aumentar a atual produção
de 8 milhões de toneladas/ano para 12 milhões.
O setor siderúrgico será, aliás, um dos mais
promissores neste e nos próximos anos, por três motivos:
a forte demanda externa do aço brasileiro, liderada pela
China, o fato de as usinas brasileiras já estarem trabalhando
a plena capacidade (o que as obriga a expandir-se) e o crescimento
industrial do país, que necessita do aço como matéria-prima.
Neste segmento, a Vale do Rio Doce, tradicional fornecedora de minério
de ferro para as siderúrgicas, anunciou que deverá
implantar uma usina de aço na capital maranhense. E não
param aí os projetos da Vale. Ela deverá investir
891 milhões de reais na ferrovia FCA, em Belo Horizonte,
para aumentar a velocidade dos trens que transportam os minérios.
Os investimentos no setor ferroviário não se restringem
à Vale do Rio Doce. Esse segmento interessa, sobretudo, aos
fundos de pensão. O Funcef da Caixa Econômica Federal
tenciona dar início às obras do Ferroanel, na região
metropolitana de São Paulo, e a Previ, do Banco do Brasil,
vai investir cerca de 400 milhões de reais na Ferronorte,
que liga a região Centro-Oeste ao porto de Santos. No Paraná,
a América-Latina Logística anunciou que investirá
220 milhões de reais na ferrovia que liga as cidades de Ipiranga
a Guarapuava.
Finalmente, a exemplo de São Paulo, a região metropolitana
do Rio de Janeiro quer livrar-se do tráfego de caminhões.
Aproximadamente 500 milhões de reais deverão ser investidos,
a partir deste ano, na construção do Arco Rodoviário,
que diminuirá o tempo de acesso ao terminal de Sepetiba.
Notícias como estas fazem-nos sonhar com o início
de um longo (esperamos) período de recuperação.
E sonhar é bom, quando se sonha de olhos abertos e com os
pés no chão.
Gilberto Giassetti
Presidente da Alec
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