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12/12/08
A
indústria em ritmo de crise
A
crise internacional chegou à indústria brasileira.
A novidade foi confirmada oficialmente um dia depois de
os Estados Unidos serem declarados em recessão -
já por um ano - pelo respeitado Escritório
Nacional de Pesquisa Econômica. No Brasil, a produção
industrial de outubro foi 1,7% menor que a de setembro,
segundo o IBGE, e apenas 0,8% maior que a de um ano antes.
A queda na atividade da indústria era previsível,
mas não haverá recessão no País,
garantiu ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Há
quem discorde. Segundo o economista-chefe do Banco Morgan
Stanley, Marcelo Carvalho, o Produto Interno Bruto (PIB)
do quarto trimestre será 0,6% menor que o do terceiro.
A queda continuará, em ritmo semelhante, nos primeiros
três meses de 2009, de acordo com seus cálculos.
Se
haverá ou não uma contração
da economia só se saberá dentro de alguns
meses, mas os números da indústria divulgados
pelo IBGE não permitem projeções otimistas.
A produção industrial ainda cresceu 5,9% nos
12 meses terminados em outubro, puxada principalmente pela
fabricação de bens de capital (19%). Também
foi muito bom, nesse período, o desempenho do setor
de bens de consumo duráveis (10,6%).
A
produção desses bens duráveis depende
muito do crédito ao consumidor, hoje bem mais limitado
e mais caro do que era até setembro, quando o setor
financeiro acusou os primeiros impactos da crise. A fabricação
de bens de capital, isto é, de máquinas e
equipamentos, depende não só do crédito
de longo prazo - até há pouco oferecido generosamente
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) -, mas também das expectativas do
empresariado. Essas expectativas pioraram recentemente,
de acordo com pesquisa publicada na última semana
pela Confederação Nacional da Indústria
(CNI).
A
mudança de humor dos empresários não
surpreende, mas o quadro provavelmente seria menos preocupante
se o governo houvesse reconhecido mais cedo o risco de contágio
da crise internacional e tomado prontamente, e com mais
calma, medidas preventivas. Mas em Brasília a noção
de um país pouco vulnerável à crise
predominou até muito recentemente.
Em
outubro, a produção de bens duráveis
de consumo foi 4,7% menor que a de setembro. Esse resultado
refletiu, em parte, a paralisação temporária
das atividades em alguns segmentos, como o automobilístico,
acompanhada de férias coletivas. Em alguns casos,
a paralisação foi programada. Noutros, foi
determinada pela piora das expectativas empresariais.
No
setor de bens de capital a produção diminuiu
0,5% de setembro para outubro. Esse resultado, mais que
qualquer outro, reflete a mudança de expectativas
dos empresários, já que a fabricação
de máquinas e equipamentos havia liderado o crescimento
da atividade industrial durante muito tempo. A piora ocorrida
em outubro poderia ter sido mais acentuada, se dois fatores
não estivessem presentes. Primeiro, nem todos os
projetos de investimento são interrompidos facilmente.
Muitos são levados adiante mesmo quando o cenário
se torna desfavorável, porque são importantes
a médio e a longo prazos. Segundo, a produção
de aviões continuou elevada, por causa da grande
carteira de pedidos.
Um
dos piores desempenhos foi o do segmento classificado como
"outros produtos químicos", fabricante
de herbicidas e de tintas e vernizes para construção.
A produção desse ramo diminuiu 11,6% de setembro
para outubro. A notícia é particularmente
ruim porque aponta uma diminuição do uso de
insumos na agricultura. A produção de adubos,
fertilizantes e corretivos de solo caiu bem menos, cerca
de 1% entre setembro e outubro. Mas a queda chegou a 7,4%
em 12 meses.
Na
próxima semana deverá sair a primeira estimativa
do PIB do terceiro trimestre. Com base nesse levantamento
será mais fácil estimar a evolução
da economia neste fim de ano e nos primeiros três
meses de 2009.
Para
2008, a última previsão do mercado financeiro
é de um crescimento de 5,2%, segundo os números
coletados na última sexta-feira pelo Banco Central
para o seu relatório Focus. Para 2009 está
projetada uma expansão de 2,8%. Pela primeira vez
o relatório indicou uma projeção abaixo
de 3% para o próximo ano. O governo mantém,
oficialmente, uma previsão de 4%.
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