24/06/08
Um
castelo de andaimes.
* Por Expedito Arena
Até
pouco tempo atrás, apenas as cidades de São
Paulo e Rio de Janeiro viviam cercadas de obras de infra-estrutura
e desenvolvimento. Florestas de arranha-céus erguidos
nos mais variados cantos dessas cidades tornavam evidente
a força do setor de construção. Em
alguns bairros, mais bucólicos, o impacto dos edifícios
era desconcertante. A paisagem verde e as casinhas singelas
eram substituídas por fileiras de prédios,
muitas vezes de gosto duvidoso. Em outras regiões,
a arquitetura arrojada e vertical parecia combinar com
o desenho das ruas e avenidas. De qualquer forma, essas
duas cidades têm hoje a marca do segmento imobiliário,
que desfila constantemente pelas ruas seus novos produtos
e tendências.
Atualmente,
mais cidades, nos mais variados rincões do país,
exibem esse castelo de andaimes a céu aberto, um
visual que caracteriza o crescimento econômico atual.
De cidades do interior de São Paulo a capitais
do Nordeste, passando por vilarejos anteriormente esquecidos,
pode-se dizer que boa parte desse imenso Brasil está
às voltas com tijolos, cimento, blocos, ferramentas,
soldas e muito mais. Isso significa construção,
casa, moradia e, claro, melhor qualidade de vida para
a população.
Um
projeto do governo federal está na base disso tudo.
É ele que vem preparando a terra para que seja
possível erguer a estrutura. Como diz um verso
da canção composta em 1962 por Paulo Vanzolini,
o PAC chegou para "levantar, sacudir a poeira e dar
a volta por cima". Há tempos que o Brasil
exigia recursos para melhorar a vida das pessoas, sem
precisar ficar à mercê de um grande investimento
estrangeiro. Quando são oferecidas condições
reais de crescimento, sabemos que o nosso Brasil tem potencial
e gente capaz de construir uma nova realidade.
Talvez
seja cedo para dizer que avançamos. Afinal, estamos
construindo, de forma homeopática, tijolo por tijolo,
uma nova nação, com um cenário mais
positivo e próspero para as classes menos favorecidas.
A recente alta de consumo da classe C é um dos
sintomas de que estamos no caminho certo. Esse público
também não deixa de investir em obras. Ele
eleva as vendas do setor de construções
para o topo, com os "puxadinhos" que precisam
ser feitos no fundo do imóvel, com a reforma da
cozinha ou com o cômodo que é construído
às pressas para acolher mais um no seio familiar.
Não
foi à toa que o crescimento na construção
civil em 2007 chegou perto dos 10%. E, para mim, também
não será novidade chegar ao final de 2008
com índices bem maiores. Em alguns casos, a demanda
está sendo maior que a oferta. Construtoras buscam
mão-de-obra nos próprios canteiros, já
que faltam funcionários especializados no mercado.
Creio
que, em muitos pontos, o Brasil segue os passos da China,
país que respira o crescimento acelerado e continuo.
Pelo jeito, nós também deveremos respirar
esse ar que o desenvolvimento nos obriga a inalar para
crescer. Que seja feito de forma positiva e para o bem
da maior parte dos brasileiros, gente que trabalha intensamente
para realizar o genuíno sonho de construir a própria
casa.
*
O autor é engenheiro e presidente da ALEC